O que é APAC?

A APAC é uma entidade civil de direito privado, com personalidade jurídica própria, dedicada à recuperação e à reintegração social dos condenados a penas privativas de liberdade. Ela ainda opera como entidade auxiliar do poder Judiciário e Executivo, respectivamente, na execução penal e na administração do cumprimento das penas privativas de liberdade.

A APAC é composta de 12 elementos: 1. Participação da Comunidade; 2. Recuperando ajudando Recuperando; 3. Trabalho; 4. Espiritualidade; 5. Assistência jurídica; 6. Assistência à saúde; 7. Valorização Humana; 8. Família; 9. O Voluntário e o curso para sua formação; 10. Centro de Reintegração Social – CRS; 11. Mérito; 12. Jornada de Libertação com Cristo;

O objetivo da APAC é promover a humanização das prisões, sem perder de vista a finalidade punitiva da pena. Seu propósito é evitar a reincidência no crime e oferecer alternativas para o condenado se recuperar.

 

O trabalho da APAC dispõe de um método de valorização humana, vinculada à evangelização, para oferecer ao condenado condições de recuperar-se, buscando em perspectiva mais ampla, a proteção da sociedade, o socorro às vítimas a promoção da justiça restaurativa.  

Na APAC os presos são chamados de recuperandos e são corresponsáveis por sua recuperação. A presença de voluntários é fundamental oferecendo aos recuperandos a assistência espiritual, médica, psicológica e jurídica. Na APAC, a segurança e a disciplina são feitas com a colaboração dos recuperandos, tendo como suporte alguns funcionários e voluntários, sem o concurso de policiais ou agentes penitenciários.

A APAC conta com uma rotina diária que inicia às 6 da manhã e termina às 10 da noite. Durante o dia todos trabalham, estudam e se profissionalizam, evitando a todo custo a ociosidade. Com uma disciplina rígida, a APAC conta com um conselho formado por recuperandos que contribui decisivamente para a ordem, o respeito e o seguimento das normas e regras.

Na APAC as famílias são respeitadas e coparticipes da recuperação. Através de encontros formativos, celebrações e vistas aos lares, a APAC tenta, a todo custo, reatar os laços entre recuperandos e seus entes. A APAC recupera também a família de quem cumpre pena.

Na APAC a espiritualidade é ecumênica. Cada recuperando é incentivado a assumir a fé que professa, de forma que possa fazer um encontro profundo com o Deus da Vida. O respeito à religião do outro é fundamental e norteia a espiritualidade apaqueana.

Seu Legado

“Pedimos a Deus para receber Dr. Mário Ottoboni porque ele foi um filho de Deus, que agora, quando volta, está deixando para trás um mundo muito melhor do que quando ele nasceu. Isso não é para muitos, mas somente para os escolhidos por Deus para uma missão.” Dr. Paulo Antônio de Carvalho

Dr. Mário Ottoboni deixa para o mundo uma metodologia inovadora – a APAC, uma instituição que confedera os presídios que aplicam esta metodologia – a FBAC, um congresso, realizado há cada cinco anos, onde representantes das APACs de todo o mundo podem reunir-se e partilhar suas experiência, alegrias e dificuldades, além de uma extensa obra bibliográfica com todas as orientações para a criação e aplicação da metodologia APAC.

 

Dr. Mário visita recuperandas da APAC de Itaúna em 2012.

Infância e juventude

Nascido em 11 de setembro de 1931, na colônia italiana de Barra Bonita, Mário Ottoboni mudou-se para São José dos Campos aos 12 anos de idade, acompanhando seu pai Angelo Ottoboni, sua mãe Maria Martins Ottoboni e seus irmãos. Muito cedo seu pai faleceu e, desta forma, todos os irmãos tiveram que começar a trabalhar desde a adolescência. Mário teve quatro irmãos legítimos: Gentil, Geraldo, Dionísio e Eunice, e dois irmãos adotados: João e Zilda.

Com muita dificuldade ele concluiu seus estudos tornando-se jornalista, autor teatral premiado (melhor autor nacional em 1961). Ingressou na faculdade de Direito do Vale do Paraíba-UNIVAP, diplomando-se Bacharel em ciências jurídicas e sociais. 

Formado em jornalismo e direito, Mario teve participação ativa na vida política de São José dos Campos. Funcionário público municipal, nomeado em 01 de março de 1951, para o cargo de auxiliar de secretaria da câmara municipal de São José dos Campos. Em 23 de janeiro de 1958, com 26 anos de idade foi promovido para o cargo de secretário Administrativo da edilidade. Aposentando-se em outubro de 1978. 

Mário casou-se em 18 de julho de 1961, com a professora Maria Aparecida Candelaria Bernardes, descendente de tradicional família joseense. Tiveram quatro filhos, cinco netos e uma bisneta. Com ela viveu 55 anos. Senhora Maria Aparecida faleceu em 14 de janeiro de 2016, deixando um grande vazio e tristeza no coração de Mário.  

FBAC e APACs realizam missa de corpo presente em homenagem a Dr. Mário Ottoboni

No dia 15 de janeiro de 2018, representantes da FBAC e das APACs, ex-recuperandos, funcionários e voluntários, estiveram presente na Câmara Municipal de São José dos Campos e, juntamente com familiares e amigos, realizaram missa de corpo presente em homenagem ao idealizador do Método APAC e fundador da FBAC, Dr. Mário Ottoboni.

A missa foi presidida por Padre Dimas de Paula Inacio e contou com a presença de Dr. Luiz Carlos Rezende e Santos, representando o Tribunal de Justiça de MG e de Dr. Paulo Antônio de Carvalho, juiz da Comarca de Itaúna/MG.

Durante a homilia Padre Dimas pediu que algumas pessoas dessem seu testemunho sobre a vida e trabalho de Dr. Mário Ottoboni.

Sr. Ubirajara, ex-recuperando da APAC de São José dos Campos , disse: “Tive a felicidade de conhecer Dr. Mário e ser acolhido na APAC. Convivendo com Dr. Mário comecei a acreditar em mim, em Deus e na vida. Dr. Mário nos pegou nas mãos e ajudou. A APAC é obra de Deus. Estamos juntos!”

Dr. Luiz Carlos expressou que: “através da metodologia muitas pessoas voltaram à vida. Nossa gratidão é enorme. Crescemos como seres humanos, descobrindo que muitas pessoas, por acaso, não tiveram as mesmas chances que nós. Dr. Mário nos ensinou o perdão e a misericórdia. Eu e muitos juízes mineiros, nós não somos somente magistrados melhores por conviver com Dr. Mário Ottoboni, mas nós somos pessoas melhores. E Agora, neste momento de despedida, a responsabilidade aumenta muito sobre nós, sobretudo por causa da influência que podemos ter no cuidado com a metodologia das APACs. Doutor Mário foi sonho para nós, por ter a oportunidade de conhecê-lo e é sonho para nós, para deixa-lo vivo.”

Segundo Dr. Paulo: “Dr. Mário vai nos fazer muita falta. Estamos nos sentindo órfãos, de sua pessoa, porque as ideias continuam e, certamente, irão perpetuar, através desse trabalho, que é fundamental para a mudança da sociedade, neste ponto crucial, que é a execução penal. Pedimos a Deus para recebê-lo porque foi um filho de Deus, que agora, quando volta, está deixando para trás um mundo muito melhor do que quando ele nasceu. Isso não é para muitos, mas somente para os escolhidos por Deus para uma missão. Ele realmente abraçou o preso como um irmão. Dr. Mário vá com Deus. Que Deus o acolha no paraíso. Iremos preservar a sua memória e o seu bonito testemunho.”

Sr. Fuzzato, presidente da APAC de São João del Rei disse: “O sentimento que temos é de gratidão. Aprendemos muito com ele. Um grande exemplo de seu trabalho são nossos ex-recuperandos que estão aqui. Sempre dizíamos a Dr. Mário que ele é tão especial, que quando Deus o criou estava namorando. Todos que não puderam vir agradecem muito ao Dr. Mário e desejam que Deus o receba no paraíso. Obrigado Mário, obrigado, obrigado, obrigado por tudo.”

Rinaldo, gerente institucional da FBAC e ex-recuperando expressou o sentimento de todos os membros da FBAC: “Em nome da FBAC faço um agradecimento ao Dr. Mário. Nos sentimos como os discípulos no caminho de Emaús, na caminhada de solidão e frustração, se perguntando: E agora? Ele não está mais aqui. O que iremos fazer? Mas sentimos em nosso coração a certeza de que ele caminha conosco, e o que ele fez irá permanecer. Seu trabalho missionário não pode parar. A FBAC não irá deixar parar. Cada um de nós que está aqui, tem a obrigação de não deixar parar. Muito obrigado Mário. Estamos juntos.”

Padre Dimas concluiu o momento de reflexão e partilha dizendo: “Sou feliz por participar desta obra desde o começo. Devemos levar adiante este trabalho de misericórdia, que é uma obra do novo milênio cristão. Mário nos ensinou que Deus perdoa, que ninguém é irrecuperável. E isso precisa fomentar nossa sociedade que carrega tanto ódio e desprezo pela vida. A misericórdia é o coração do evangelho.”

Ao final da celebração, Padre Dimas convidou todos os ex-recuperandos para ficarem ao redor do caixão e juntos suplicarem a bênção de Deus para Dr. Mário Ottoboni. Aspergindo juntos o corpo de Dr. Mário Ottoboni, significando um batismo para a vida eterna, Padre Dimas concluiu orando: “Pedimos, Senhor nosso Deus, que acolha Dr. Mário Ottoboni e que o permita gozar da alegria eterna na companhia dos anjos e santos.”

A missa de sétimo dia será realizada no domingo, dia 20 de janeiro, às 11 horas, na Paróquia Coração de Jesus, Bosque dos Eucaliptos, em São José dos Campos.

 

Fundador do Método APAC retorna para os braços do Pai

Nesta madrugada, dia 14 de janeiro, Deus abriu as portas do Paraíso para acolher o teu servo amigo, bom e fiel Dr. Mário Ottoboni. Já não temos mais um líder e inspirador das APACs na terra, mas com certeza temos um Pai e intercessor junto de Deus a velar por todos nós que acreditamos na força da Ressurreição capaz de vencer as trevas do pecado e da morte.
A exemplo do nosso querido Dr. Mário, agora ao lado do Servo de Deus Franz de Castro, continuemos perseverantes no nosso caminho das APACs, sempre fiéis aos propósitos por ele anunciados e jamais deixando de acreditar na recuperação do ser humano.
Obrigado Senhor pela vida do Dr. Mário, inteiramente repleta de gestos de amor e doação. Obrigado!!!! Valdeci, Diretor Executivo da FBAC

 

No final de 2018, por ocasião do Natal, Dr. Mário enviou uma mensagem: "Lutei até onde foi possível e agora sinto necessidade de parar para descansar. A idade foi barrando meu entusiasmo e Deus pediu-me prudência. Agradeço a Deus tanta confiança e a você e aos companheiros que irão continuar socorrendo os pecadores arrependidos e acolhidos pelo Pai Eterno. Deus nos concedeu a vida para sermos vencedores. Fui, você sabe, muito perseguido e humilhado, mas venci os momentos difíceis porque Deus não me abandonou. Agora preciso descansar. Não deixarei de estar espiritualmente em orações com os apaqueanos, e onde estiver, estarei solidário com os irmãos de fé. Tudo na vida passa, menos o amor que supera o tempo na eternidade. Abraços." 

Mário Ottoboni

 

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