Recuperandos de Apacs produzirão 350 mil máscaras para combate ao coronavírus

Cerca de 400 recuperandos e recuperandas de 23 Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (APACs) de Minas Gerais e do Maranhão iniciaram, no início de junho, uma campanha coletiva. A meta é produzir 350 mil máscaras para o enfrentamento do novo coronavírus, que serão destinadas à sociedade.

Com o lema “Humanizar a pena, proteger a vida”, a campanha é uma realização da Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI Brasil), organização sem fins lucrativos que trabalha pela melhoria das condições de vida de pessoas em situação de vulnerabilidade, e da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC), entidade que assessora e fiscaliza as Apacs.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) é parceiro da iniciativa, assim como o Ministério Público de Minas Gerais, o Instituto Minas Pela Paz e o Tribunal de Justiça do Maranhão.

A ação faz parte do projeto “Más allá de las Fronteras”, que irá destinar R$ 350 mil para as Apacs envolvidas. Os recursos são provenientes da União Europeia, por meio do Instrumento Europeu para a Promoção da Democracia e dos Direitos Humanos (IEDDH), e serão utilizados para a compra de máquinas de costura e equipamentos de higienização e esterilização das máscaras, além de matéria-prima.

A campanha é uma realização da Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI Brasil), organização sem fins lucrativos que trabalha pela melhoria das condições de vida de pessoas em situação de vulnerabilidade, e da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC), entidade que assessora, congrega e fiscaliza as APACs.

“A AVSI desenvolve um trabalho de fôlego e de suma importância para a humanização do cumprimento das penas privativas de liberdade, e tem sido uma grande parceira do Judiciário mineiro na disseminação e no fortalecimento da metodologia Apac”, afirmou o presidente do TJMG, desembargador Nelson Missias de Morais.

De acordo com Jacopo Sabatiello, vice-presidente da AVSI Brasil, as máscaras produzidas serão entregues para as comunidades do entorno das Apacs, Secretarias de Saúde, asilos, órgãos públicos e instituições beneficentes, além de servirem para a proteção dos próprios recuperandos e funcionários das unidades. “Além de aprenderem um ofício, os recuperandos colaboram para que mais pessoas tenham acesso à prevenção com o uso das máscaras, diminuindo o contágio da covid-19. Essas características explicam o lema da campanha: ao mesmo tempo em que humanizamos as penas, ajudamos a proteger e promover vidas”, explicou.

Para o Diretor Geral da FBAC, Valdeci Ferreria, "as APACs estão dando sua contribuição para a sociedade, através da confecção de máscaras, mas sobretudo através da recuperação dos condenados. Através de 12 elementos, que são aplicados harmoniosamente, o Método APAC tem se mostrado eficiente e replicado em 12 países, sendo que a média de reincidência no Brasil é de 15%."

 

Projeto "Más Alla de las Fronteras"

O projeto Más Allá de Las Fronteras é fruto de uma parceria entre a AVSI e FBAC, com financiamento da União Europeia. Foi iniciado em novembro de 2017. A iniciativa tem como objetivo contribuir para o fortalecimento da sociedade civil no combate a atos de tortura, maus-tratos, penas cruéis, desumanas e degradantes, através da consolidação/expansão do método Apac em três países latino-americanos: Chile, Costa Rica e Paraguai.

 

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